segunda-feira, 11 de maio de 2009

Dogos que Fizeram História - " El Tupi " Parte Final

Ainda essa semana conversei com o Sr.Horácio ao telefone sobre alguns animais, intercâmbios, e coisas de um relacionamento que há tempos passou do quesito Dogo. Poder falar com o Maestro das particularidades que, somente quem é Doguero sabe , aprender com sua experiência e, agora, ao concluir esse Artigo, pude perceber a abrangência da sua trajetória Histórica e a alegria pela honra de sermos brindado pela sua amizade e admiração reinterada inumeras vezes pelos nossos animais. O que nos deixa orugulhosos e sabedores da responsabilidade que carregamos.
Aproveitem ao máximo esse texto e tirem dai o cerne dos questionamentos que cercam aqueles que não conhecem a Raça Dogo.
(OPaiva)



...E nesse contexto, nasce o TUPI desta matéria. Ao redor de meados do ano de 1968. Eu obtive minha primeira cadela MANQUÉ ( nascida aproximadamente em 1966, filha do “ Bull “ de Pancho Ferrer Martinez, primo de Toño e da “ Ojito Negro “ de Juan Carlos Pascovich, filha dos cães de Pancho Nores, que por certo descendiam dos cães do seu irmão Toño ). A MANQUÉ Agustín Nores lhe dá o pedigree com o nome de Challá del Chubut, FCA definitivo Nº 3.
Seu pai foi o UTURUNCO, registro provisório base Nº 4, e que antes foi enviado por Pancho Nores a Esquel a pedido de Agustín; Agustín logo tira cria dele e passa a Elias Owen, criador de gado e caçador que ficava nas redondezas de Esquel, mais concretamente em Trevelin, onde tinha seu criadero de Dogos. Nesta zona deixou numerosa prole: sendo o mais famoso Day de Trevelin, propriedade do não menos famoso Amadeo Biló ( em breve artigo sobre Sr.Bilo ).
UTURUNCO regressa a Santa Isabel, Córdoba com 10 ou 12 doze anos de idade aproximadamente. Pela idade e, fundamentalmente por as incontáveis cacerias e com toda certeza, com as altas temperaturas e lesões de combate, ele tinha a aparência de um “ gladiador da cordilheira “, Pancho Nores me repassa ele para que eu prestei o máximo de cuidados e atenção para poder dar condição de reprodução para algumas crias a mais. Ao fim, ele morre de velho em Santa Isabel.


Assim foi que eu o tive comigo, 2 ou 3 anos e consegui com Manque, entre outras cadelas, a cria que nasceu Tupi.
A ninhada foi de 3 machos e uma cadela, das quais nem mais me lembro do seu nome ou com qual amigo foi parar. Os machos foram batizados de Tupi ( que ficou comigo ), Nabú ( que presenteei a Carlos Centeno ) e Índio ( dado ao Dr.Lalo Roldan ). Os três irmãos foram destacados caçadores, primeiro nos montes Cordobeses, onde havia muitos pumas e pecaris, hoje raros pelo desmatamento excessivo dos seus habitats naturais. Apenas encontramos a leste e oeste das serras y outros pequenos lugares nas costas do Mar Chiquita e Noroeste.
Junto foto de Índio, Nabú e Tupi aos 11 meses de idade com pecaria caçado, onde estou junto com o emblemático baqueano Carlos Muñoz, da Villa Totoral, quem acompanhava sendo ainda muito jovem a Toño Nores nas caçadas ao norte de Córdoba.


Na posteridade e já quando havíamos conhecido ao Sr.Pedro Julian levamos esses animais com outros em jauria (matilha) para caçar Javalis, onde tive muito bom desempenho. Um deles, Índio, foi deixado por Lalo nas mãos do “ Negro “ Tani, baqueano (mateiro) da Zona de Villa Valeria, ao sul de Córdoba, onde deixou muitas crias, tendo participado por vários anos na Jauria del “ Negro “.

Sr.Pedro Julian, na Argentina, entregando a Oswaldo Paiva uma placa de homenagem.
A partir do ano de 1971, com o Clube do Dogo de Córdoba já organizado e funcionando como filiado da FCA, Tupi fez uma série de exibições com distintos pumas, onde demonstrava a capacidade de luta do Dogo Argentino frente a frente com tal animal, algo que poucos acreditavam ser possível ( junto uma foto do seu primeiro encontro onde eu estou o “ acariciando “, estando o puma acorrentado onde se colocava um plena posição de combate ).



Também recebemos uma delegação do Japão a quem fizemos uma demonstração ao vivo, tupi com um Javali de mais de 130 kg. Logo de imediato me quiseram comprar por U$ 7.000,00 o qual, de imediato cortei a proposta para evitar que começassem a subir a oferta. Junto uma foto de Tupi lutando com Javali em um curral em Santa Isabel.



Por certo o apresentei na primeira Exposição Especializada do Clube em 1971, onde obteve o melhor da Exposição, sendo Juiz o Sr. Manuel ( Manolo ) Guzman, um dos primeiros juízes Especialistas da Raça. Em exposições posteriores por todo país, obteve distintos troféus, entre outros, apenas mencionando os mais importantes, foi o primeiro Grande Campeão da Raça e o primeiro Dogo que ganhou o Grupo de Rastro e o primeiro a chegar a um melhor de Grupo em Exposição de Campeonato da FCA, sendo este último Juíz o Sr. H. Raunder, o conhecido e já falecido Toto Di Pace.

Desse melhor de raça envio duas fotos; uma onde Di Pace me cumprimentava e outra onde estão os finalistas. Da esquerda para direita: Di Pace, Miguel Garcia Montaño, Fernando Moreno e o Flaco Fernández ( Nosso velho amigo Lito do RJ e Primeiro Handler do Tilcara de Norez Martinez ). Lembro-me, hoje, como sofreu Agustín Nores, lá por 1972 ou 73, quando sendo ele Juíz especialista da Raça, foi apresentado ( Tupi ) na FCA / Capital Federal Buenos Aires.





Rafael (o Handler 100%), com o velho Amigo "Flaco Fernandez" ou para nós Sr.Lito
Digo sofreu, porque ele sempre me dizia “ Horacito, é um pouco baixo, e eu gosto de mais altos “. Ficou difícil. Tupi media 63cm na cernelha, mais não teve alternativa. Havia uns 20 dogos e sem dúvida alguma, TUPI era nessa exposição o mais completo. Carecia de defeitos. Do ponto de vista morfológico era perfeito. Típico, a definição muscular era de um atleta – não podia ser de outra forma, pelo treinamento e CARGA GENÉTICA. Mordida em “ tesoura “ e sem falta dentárias. Possuia uma harmonia imemorável. Ossos de grande substância. Das suas angulações nem falar. Em fim somente era “ criticável “, PARA ALGUNS, sobre seu tamanho.
Nota do Bravura: Não é por menos que batemos na mesma tecla, ano após ano sobre o gigantismo e falta dos pré-requisitos MÍNIMOS que diferenciam um Dogo Argentino de um Sub-Tipo Branco e amastinado, que, embora bonitos, são apenas um bom cão. Não um Dogo nos Moldes como se deve.
Mas ele dava, sem dúvida alguma, uma ótima estrutura para desempenhar sua função em distintos terrenos – montes baixos ou altos, terra ou lama, pântano – onde podia desenvolver toda sua potência e energia. Seu peso, em estado físico perfeito, não era mais de 38 / 40 Kg, o que vale afirmar que se somava adequada agilidade e resistência de duro trabalho. Quando chegava a sua presa se comportava como um Dogo Argentino. Sua alegria se manifestava sempre, por maior que fossem suas feridas da luta. Em casa, era mais um de nós – seis irmãos e uma mãe – e, dentro do seu rol de habilidades, cumpria adequadamente até a função de guarda.
Já retirado de todas as provas e atividades, para dar-lhe a sua merecida “aposentadoria”, ficou apenas como cão de guarda e padreador. Aos sete anos aproximadamente eu o emprestei a um amigo – Julio Arana – que, por ter que se afastar da sua família por questões de trabalho, me pediu para que ele ficasse como protetor dos seus ( esposa e dois filhos ), já que eles haviam sido alvos de assalto no passado em sua propriedade. Nunca mais consegui tirá-lo da sua esposa e filhos. Com eles morreu aproximadamente aos 13 anos de idade.
Voltando a Agustín e a exposição. Ele não teve nada mais a fazer do que me levantar a mão. Primeiro dando-me um CAC ou CGC ( não me lembro qual dos dois ) e dali o melhor da raça; foto abaixo.
Na mesma exposição obteve o melhor de Grupo, não me lembro agora com qual juíz.
Agora vem a cabeça que nessa época Don Virgilio Patalano, um dos grande Presidentes que tiveram a FCA, me solicitou fotografias de TUPI para mandar para a FCI, e que foi um dos que lutaram para o reconhecimento da raça na FCI. A verdade, é que agora puxando pela memória e com tudo isso, valorizo ainda mais as qualidades daquele Dogo, que para terminar, afirmo que esses atributos, não foram somente dele, foi e são da generalidade da Raça. ( Ou pelo menos deveriam – Nota do Bravura )

Aqueles que viveram intensamente, como os que também sofreram andando por caminhos e dividindo aventuras, sabem do amor e encantamento que temos pela raça. Não somente aqui como também em todo o Mundo Doguero. Isso tenho podido apreciar não somente em nosso paíz, como também no estrangeiro. E sei que quando me referia ao Tupi, cada um dos leitores desse artigo, irá traduzir para seus próprios animais.
HORÁCIO RIVERO
(FIM)
Grato a Gacetilla Doguera
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Um comentário:

Anônimo disse...

Conheci esse blog atraves do Orkut, que faz muito tempo que não acontece nada de informação sobre a raça. Parabens pelos cães do canil de vocês e por esse espaço tão informativo e bem ilustrado. Sem dúvida vocês são a referência da raça dogo argentino.
Esse tipo de história da raça só poderia ver aqui.
Estarei acompanhando O dia a dia com os Bravuras.

Leo Veg.

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