sexta-feira, 1 de maio de 2009

DOGO ARGENTINO CAÇADOR


Recorremos ao amigo Patrício Ghigliani do Criadero Cinco Montes , que cria a raça Dogo Argentino e mantém a atividade de caça em jauria desde 1973 na Argentina. Por ele, fomos autorizados a traduzir suas matérias e usar fotos como ilustração visando difundir no Brasil informações de extrema validade para os Dogueros locais.
Infelizmente no Brasil essa prática não é comum, e muitas vezes é até rejeitada ou criticada, mas ela está diretamente ligada ao destino que daremos a raça. Sempre haverá criadores e CRIADORES. Essa é uma clara distinção e razão fundamental dos problemas que vemos hoje.
Nesta primeira parte, a opinião do Sr. Patrício Ghigliani sobre a importância da caça para os exemplares da raça.

Até alguns anos atrás aqui na Argentina, este título seria algo redundante, já que era raro encontrar um exemplar dessa raça que não o fora, ou que ao menos, não demonstrava sua atitude em provas de campo que tão comumente se realizavam.


Devido ao longo tempo de inoperância do “ Clube do Dogo Argentino “, sobretudo no que representa a questão da funcionalidade da raça, muitos criadores parecem ter esquecido o porque da criação do Dogo, e somente estão interessados em que seus animais participem das exposições, para a obtenção do tão sonhado titulo de Campeão Argentino. Não é a minha intenção desmerecer a seleção através das exposições de estrutura e beleza, já que creio, é a forma ( ao menos deveria ser ) de manter a tipicidade de uma raça e da busca a sua perfeição técnica, porém: É o suficiente para a correta evolução do Dogo Argentino, tanto físico como psiquico?
Teríamos que recordar aquelas famosas frases utilizadas pelo Dr.Antônio Nores Martinez, como “ A função faz o Orgão “ e “ as raças que não evoluem, retrocedem “ para a buscar as respostas.
Se não, baste ver os novos problemas que tem hoje a raça; como as cada vez mais comuns dematitis de todo tipo, a diminuição em alguns exemplares da grossura da pele, debilidade óssea e muscular, cabeças leves etc..Como pretendem alguns criadores, que não apareçam tais características e outras deficiências se muitos Dogos e seus ascendentes, cujo o único contato com a naturaza foi um passeio na grama do parque do bairro ou um outro dia qualquer para um "Pic-Nic"?

Como querem que com essa atitude, não surjam exemplares com hipersensibilidade cutânea, se por gerações não tiveram contato com os temíveis ectoparasitas das selvas? Mudou o sol castigante do monte para o confortável ventilador ou ar-condicionado de um apartamento?
Como esperam manter a grossura de pele característica do Dogo, se não estão em contato com os espinhos do monte pampeano ou com a neve da nossa cordilheira, garras de uma puma ou caninos de uma javali?
Como buscar as potências de masséteres e cabeça do Dogo, se seus músculos mastigadores deixaram de realizar a função de presa e o único que mordem hoje são croquetes de ração ou brinquedinhos de cães de luxo?
Tudo isso sem mencionar os aspectos fundamentais como o instinto de caçador, o olfato, a insensibilidade a dor, a rápida cicratização das feridas e a coragem inquebrantável que o faz lutar até vencer ou morrer. E sem mencionar a importância que tem a caça em si para a estabilidade psiquica do Dogo.
Tudo isso eviendencia a perda da tão preciosa rusticidade do Dogo Argentino e, a única forma de manter essa fundamental virtude é mediante a exercícios por intermédio da caça.


O criador da raça, repetiu até quase o cansaço a fórmula chave para o melhoramento e a perpetuação das características do Dogo Argentino:
( Pai x Mãe ) + Gimnasia Funcional (exercícios ou treinamento em caçadas )
Esta é a real importância que tem para a raça a prática da caça maior. Sei que há criadores que depreciam este tipo de caceria, alguns não a praticam por falta dos meios, tempo ou dinheiro, outros simplesmente por desinteresse. Em geral são os mesmos que gastam fortunas para que seus Dogos compitam em exposições e mantém suas cadelas em casa em vez de entregá-las a algun caçador, para que possam desenvolver suas virtudes e que estas possam ser transmitidas através das gerações.
Criar Dogos seriamente, é uma tarefa sacrificada, e dentro deste sacrifício está o exercício da caça.
Tanto o Club do Dogo Argentino, com sua atitude indiferente a esse respeito ( coisa que já mudou recentemente com a nova direção ), como seus criadores que não fazem caçar seus reprodutores, estão depreciando não só a raça como também o trabalho do seu criador, que não sonhou com um lindo cão branco que competisse no grupo 2. Se não como um caçador de caça maior por excelência e “ o mais cão de todos os de presa, e o mais de presa entre todos os cães de todas as raças

Já exposta a minha opinião sobre a importância que tem para a raça Dogo Argentino a prática da caceria, vou descrever, em base da minha experiência de criador e caçador, quais são, do meu ponto de vista, as qualidades fundamentais que devem reunir os Dogos integrantes de uma jauria de caça.

  • Sociabilidade
  • Obediência
  • Olfato
  • Resistência
  • Coragem
  • Submissão


CONTINUA…
A reprodução integral ou parcial de textos originais deste blog depende de autorização prévia Lei 9.610, de 19/02/1998. Todos os Direitos Reservados

Um comentário:

Anônimo disse...

MUITO BOM É ISSO MESMO TEM QUE MANTER AS RAÍZES DO DOGO ARGENTINO.

CORTE DE ORELHAS - SUA IMPORTÂNCIA NA RAÇA DOGO

Que o bem possa sempre vencer o mal. Que possa nos dar a proteção e força  que tanto buscamos para enfrentar os desafios pelos quais...